O transporte de animais de estimação no carro é comum no dia-a-dia de muitos portugueses. Seja em longos passeios, deslocações ao veterinário ou mesmo em curtas distâncias, muitos são os donos que levam os seus animais de estimação consigo no carro. A questão é: estamos a fazê-lo respeitando as condições de segurança e a legislação? O correcto transporte dos animais de estimação pode evitar consequências graves em caso de acidente. Vale também a pena relembrar que estão previstas coimas na legislação entre os 60 e os 600 euros para quem não assegure as condições de segurança ao seus patudos.

A legislação referente ao transporte de animais de estimação não especifica quais as condições exactas em que o mesmo deve ser feito. Ainda assim, o Decreto-Lei nº 315/2003 de 17 de Dezembro, refere que devem ser usados veículos e contentores apropriados para o efeito. Mais importante ainda, que devem ser asseguradas condições de segurança para as pessoas e os animais. Embora o Código da Estrada não refira o transporte de animais de companhia, devem ser respeitadas as regras para transporte de pessoas e carga, garantindo em todos os momentos que os nossos patudos (ou bicudos, ou escamudos, ou…) não prejudicam de forma alguma a segurança e a condução.
Assim, se deixarem o vosso animal de estimação solto no carro enquanto conduzem não estão a cumprir com as regras de segurança. Esta prática é perigosa não só para o animal de estimação, como para o condutor e passageiros do veículo. Em caso de acidente, o animal sofrerá danos superiores quando comparado com a situação de viajar em segurança. Mais ainda, os passageiros e condutor podem sofrer lesões graves devido ao possível embate com o animal. Se não estão convencidos, imaginem o estrago que pode fazer uma bola de futebol que acerta num rosto a grande velocidade.
Como é que podemos então transportar um animal de estimação respeitando as regras de segurança? Existem algumas hipóteses.
Caixa transportadora
Esta é a hipótese de transporte por excelência. Oferece muita estabilidade no transporte e está apta a todos os animais de estimação. Uma caixa transportadora adequada ao tamanho do animal de estimação permite um transporte seguro e eficaz. A caixa transportadora pode ainda ser usada noutros contextos além do transporte. Imaginando umas férias de família, a caixa pode servir de cama e refúgio do animal durante as noites passadas fora da sua casa.

As caixas transportadoras devem ser presas com recurso ao cinto de segurança, no banco traseiro. Outra opção também bastante segura, é a utilização de cintas ou outro tipo de fixação para colocar a caixa transportadora na bagageira. Por vezes encontram-se animais de estimação a viajar em caixas transportadoras no chão do carro. Esta situação é pouco segura, uma vez que a caixa transportadora estará solta durante o percurso. Além de não ser uma boa prática no campo do bem estar, pois causa stress adicional aos animais que, na generalidade, não gostam de viajar no chão.
Cinto de segurança
Esta é uma boa hipótese para cães. Trata-se de uma trela reforçada que liga o peitoral do cão ao encaixe do cinto de segurança do carro, prendendo o mesmo. Assim, em caso de acidente faz um efeito semelhante ao do cinto de segurança dos passageiros. É importante referir que este método só deve ser usado em cães que usem peitoral. A utilização de cinto de segurança em conjunto com coleira, em vez de peitoral, pode levar ao estrangulamento do cão em caso de acidente.

Mala do carro com grelha divisória
Esta é uma hipótese interessante para cães de grande porte. Uma vez que são transportados na mala do carro, os cães de grande porte têm mais espaço do que num banco traseiro partilhado com passageiros ou uma cadeira para transporte de bebés. O transporte do cão na mala do carro deve vir sempre acompanhado da instalação de uma grelha ou rede divisória, caso o carro não tenha uma. Tal é essencial para evitar que o cão possa ser projectado em caso de acidente para a parte da frente do carro. Algumas soluções de grelhas são instaladas com recurso a ventosas. Mas neste caso, sendo estas mais frágeis, deve testar-se a resistência das mesmas em relação ao porte do cão.

Também a questão das janelas é importante. Embora a imagem de um cão com a cabeça de fora da janela de um carro, língua pendente e um focinho sorridente e feliz a levar com o vento seja muito pitoresca, é bastante perigoso para o nosso melhor amigo. Todos os anos são imensos os cães a dar entrada de urgência nas clínicas veterinárias do nosso país após embate contra objetos que são atirados de outros carros, ramos ou outras situações semelhantes. O melhor mesmo, pela segurança de todos, é manter o vidro aberto apenas de forma a permitir a circulação do ar, apostado em mais paragens para deixar o patudo esticar as patas. Ele vai agradecer!

Agora que já sabemos como transportar os animais de estimação em segurança, há que começar a implementar a hipótese que mais se adequa ao vosso caso. O importante é não descurar a segurança pois é o bem-estar de todos que está em causa, e nós não queremos se não o melhor para os nossos patudos!
Costumam usar algum dos sistemas listados? Usam outro sistema? Qual é a vossa experiência com o método que utilizam?
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